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Trólebus & Veículos Elétricos Brasileiros
Espaço do Leitor


 

> 29 de abril de 2026

 

O "Crime" contra os Trólebus na Casa Verde: De promessa do Projeto de 2011 ao desmonte total em 2019.

 

Pessoal, quero trazer um dossiê sobre um dos maiores retrocessos elétricos de São Paulo: o fim da rede de trólebus da Zona Norte (Área 2 - Azul escuro). Se você abrir a Wikipédia agora, vai ler sobre planos de expansão que nunca aconteceram. A realidade? A prefeitura "limpou" a infraestrutura para favorecer o diesel, e posteriormente, aos ônibus elétricos à bateria.

 

1. O Começo do Fim (Reforma de 2004)

Tudo começou a desandar na reforma do Corredor Rio Branco em 2004, durante a gestão Marta Suplicy. Antes disso, os trólebus operavam a todo vapor na área vermelha. Quem não se lembra dos Torino GV Scania 116 BR (Powertronics) ou dos Neobus MEGA Evolution (Gevisa)? Eram máquinas modernas que foram retiradas com a promessa de que voltariam após as obras. Nunca, jamais, em tempo algum voltaram.

 

2. A Gestão Kassab e o "Projeto Fantasma" de 2011

Em 2011, a gestão Kassab incluiu no projeto de revitalização do sistema a promessa de retorno dos trólebus para a Casa Verde e Centro. Ficou no papel. A rede aérea continuou lá, apodrecendo sem uso, enquanto a prefeitura se omitia em forçar os novos operadores a comprar frota elétrica.​

 

3. Gestão Haddad e a Prioridade ao Diesel (2013-2016)

Nas gestões seguintes, o foco mudou 100% para os corredores BRT. O argumento era a "flexibilidade". Em vez de modernizar as subestações da Zona Norte, a gestão Haddad priorizou o asfalto e permitiu que a infraestrutura elétrica fosse canibalizada para manter apenas o sistema da Zona Leste vivo. A promessa de 2011 foi simplesmente ignorada.

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Mapa das regiões de distribuição das linhas de ônibus/trólebus na cidade de São Paulo (SP).

(Fonte: https://www.sptrans.com.br/informativos - acesso em abril/2026).

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Trólebus em operação na região da Casa Verde - década de 1990.

(Fonte: acervo SP Trans).

4. O Golpe de Misericórdia: O Edital de 2018 e a remoção em 2019

O novo Edital de 2018 (Gestão Doria/Covas) foi o xeque-mate. Ele parou de exigir trólebus e abriu a brecha dos "combustíveis renováveis". Isso foi um presente para os empresários focarem no Biodiesel, que é muito mais barato de operar (mesmo poluindo mais no local).

 

Em 2019, a SPTrans finalmente removeu toda a infraestrutura de rede aérea do Terminal Casa Verde e das vias de acesso ao Corredor Rio Branco. Como bem diz o Plamurb, a prefeitura parece ter "esquecido" que aquela infraestrutura era recuperável. Onde está a lógica de gastar dinheiro público para remover uma rede que já estava pronta, em vez de reformá-la?

Conclusão:

Usaram a promessa futura dos "ônibus a bateria" como cortina de fumaça para destruir um patrimônio de emissão zero que já existia. São Paulo trocou o silêncio e a limpeza dos trólebus pela fumaça do biodiesel, apenas para garantir o lucro e a flexibilidade das empresas operadoras da Zona Norte, dando posterioridade aos ônibus elétricos à bateria.

 

Enquanto a Wikipédia não atualiza até hoje, a gente registra: o transporte elétrico na Casa Verde foi assassinado pela burocracia e pelo lobby do diesel.

 

 

Tales

 

#MobilidadeSP #Trólebus #CasaVerde #SPTrans #RetrocessoAmbiental #TransportePublico #Plamurb #VilaMarieta #ZonaNorteSP

 

 

 

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> 01 de janeiro de 2026


São Paulo, 1⁰ de Janeiro de 2026

 

Carta aberta de um paulistano, preocupado com o futuro dos trólebus na capital paulista.

 

 

Eu nasci e cresci muito próximo da Avenida Santo Amaro. Sempre via e admirava os trólebus da MAFERSA indo e voltando pelos corredores da avenida. Quando não eram eles, era o trólebus articulado 8000, o CAIO Amélia articulado. Esse último, inclusive sempre me chamou a atenção desde pequeno, por ser diferente. Adorava ver ele em ação. Também gostava dos carros antigos CMTCs que subiam e desciam a Rua Augusta e posteriormente circulavam pela região da Faria Lima. Até que no começo dos anos 2000, na gestão da Marta Suplicy, tanto os MAFERSAS, quanto os CMTCs foram extintos. Aos poucos mataram as linhas da Zona Norte, deixando apenas no centro, parte da zona oeste e na Zona Leste. Desde então São Paulo, que foi a cidade pioneira no modal, começou a viver um retrocesso. Mas nunca achei que o sistema estivesse em risco total.

 

O prefeito atual, Sr. Ricardo Nunes tem falado em extinguir o que restou dos trólebus na cidade. Ele alega o custo (me pergunto: o que são 30 milhões para uma cidade do tamanho de São Paulo?) E alega que o sistema é antigo. Mal sabe o Ilmo. Sr. Prefeito que os trólebus sempre serão um passo à frente no que se diz modernidade. Mas pelo visto ele quer colocar ônibus à bateria. Não tenho nada contra esses carros, mas desde que sejam feitos inúmeros testes de locomoção e autonomia, dois pontos cruciais que vem sendo o calcanhar de Aquiles desses carros, pois quase não passam em determinados lugares (soube de relatos em que esses carros estão deteriorando algumas ruas na linha 408A) ou sofrem pela falta de bateria suficiente. Outra questão, com a implantação desses ônibus à toque de caixa: As empresas têm estrutura adequada para recarregar as baterias? E os descartes delas? Existe algum planejamento sobre?

 

Enquanto isso, os trólebus que são taxados de antiquados, poderiam ser modernizados com baterias de rodagem maior (lembrando que dentre os 200 carros da frota atual, 50 deles possuem baterias, mas apenas para desvios de rota). E tem também o E-Trol, que muito bem pode ser testado em São Paulo. Com a desativação total, o retrocesso vai ser pior ainda, pois deixaríamos de estar equivalentes com cidades como França, Itália, Suíça, República Tcheca, Romênia e Bulgária e na capital do México, que ao contrário de São Paulo, ampliam suas redes e frotas, ano após ano. E ainda: Gastando muito menos do que se gasta com ônibus movidos apenas por bateria, pois não precisariam construir pontos específicos de recarga (as baterias são recarregadas na própria rede aérea).

 

Matar os trólebus em São Paulo vai ser como dar um tiro no próprio pé, tanto no que diz respeito ao transporte público, quanto à economia da cidade, além de questões ambientais.

Arthur Fráguas

 

 

 

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> 15 de agosto de 2025

 

 

Ao Marco Brandemarte – Desabafo de quem luta pelos trólebus até dentro de casa:

 

Marco, escrevo esse texto como um desabafo sincero, direto do coração de quem ainda acredita na importância dos trólebus, mesmo quando tudo e todos ao redor parecem empurrar no sentido contrário.

Acompanho seu trabalho há anos, e quero agradecer pela resistência, pela informação e por manter viva a memória e a dignidade desse sistema de transporte tão injustiçado no Brasil. E, ao mesmo tempo, quero compartilhar o quanto essa luta se tornou solitária pra mim — até dentro da minha própria casa.

Aqui, não é só a prefeitura que quer desligar os fios. Em casa também sou minoria.

Minha mãe e minha irmã, por exemplo, sempre foram contra os trólebus. Acham feios, barulhentos, velhos. Não enxergam valor na preservação da rede aérea, nem entendem por que eu me revolto tanto quando leio notícias de desativação, leilões ou abandono de garagens. Acham que “já deu” e que “é melhor tirar mesmo”.

Meu pai, se estivesse mais envolvido no assunto, provavelmente também veria os trólebus como um estorvo — um símbolo do passado, e não do futuro.

É duro, Marco. Muito duro, quando até os mais próximos não entendem que os trólebus não são só "ônibus com fio". São parte de uma história de engenharia, de planejamento urbano, de respeito ambiental. São o que resta de uma São Paulo que ousava ser moderna sem depender do petróleo. São silêncio em meio ao caos. Sombra em meio à fumaça. Uma esperança que insiste em resistir, mesmo sendo desmontada aos poucos, linha por linha.

Quando defendo os trólebus, ouço piadas. Quando protesto contra a prefeitura, ouço que “é só um ônibus velho”. Quando choro de raiva por ver mais uma linha sumindo, sou tratado como exagerado. E isso dói. Dói como paulistano. Dói como cidadão. E dói como alguém que ama essa cidade apesar de tudo.

Se a própria população tivesse noção do valor ambiental, da economia de energia, da durabilidade desses veículos, da lógica por trás de um sistema elétrico interligado… talvez São Paulo hoje fosse referência, e não retrocesso. Talvez, ao invés de trólebus sendo sucateados, estaríamos vendo novas linhas sendo eletrificadas. Mas não. O que vemos é sabotagem institucionalizada, apoiada pelo silêncio ou pelo desconhecimento coletivo.

Você, Marco, é uma das poucas vozes que ainda resistem. E é por isso que resolvi escrever esse texto. Porque eu precisava dizer: mesmo sozinho, mesmo desacreditado por dentro de casa, mesmo bloqueado em fóruns e grupos — eu continuo lutando.

E enquanto houver alguém como você documentando, denunciando e mantendo acesa essa chama, a gente ainda respira. Ainda acredita. Ainda resiste.

Obrigado por existir. Obrigado por mostrar que essa luta tem eco, mesmo que às vezes pareça solitária.

Com respeito e indignação sincera,

 

Tales

 

Re: [Trólebus Brasileiros] Contate-nos 2 - novo envio

 

Tales boa tarde.

 

Fico honrado e muito satisfeito com seu desabafo. Pra quem defende o trólebus isso é uma constante. Recebemos mais críticas que elogios. Mas não podemos desanimar. Nosso trabalho mesmo que seja de formiguinha é importante.

 

Se me permite e não for lhe causar problemas gostaria de publicar essa sua carta no meu site e Instagram. Se preferir posso não citar seus nomes.

 

Muito obrigado.

 

Atitudes como a sua nos fortalecem e nos convencem de que estamos no caminho certo. Obrigado e espero sua resposta.

 

Marco Brandemarte

15/08/2025

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