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Coluna FALA GALESI !!!

Espaço dedicado ao jornalista e especialista em transportes Marcos Galesi.
Confira aqui seus artigos em defesa do Trólebus Brasileiro.

MTB 0083846/SP

Transporte Público Pode Vencer os Aplicativos. E Não Precisa de Tarifa Zero Pra Isso.

09/01/2026

 

O transporte público não está morrendo.

Ele está sendo maltratado.

 

Enquanto aplicativos crescem, o ônibus virou sinônimo de espera, desconforto e incerteza. Mas não é por falta de potencial. É por falta de prioridade, gestão e respeito ao passageiro.

Não é tarifa zero que vai salvar o sistema.

É qualidade.

 

Se o serviço for confiável, rápido, confortável e com informação clara, o cidadão paga, desde que o valor seja justo. O problema não é o preço. É o que se entrega em troca.

 

O que precisa ser feito, sem rodeio:

 

🔹 Prefeituras

 

Prioridade real para o ônibus: corredores respeitados, fiscalização firme.

 

Integração de verdade entre ônibus, trem, metrô, bicicleta e caminhada.

 

Planejamento de longo prazo, sem improviso eleitoral.

 

 

🔹 Empresas de ônibus

 

Tecnologia funcionando: app decente, previsão real, bilhete digital.

 

Frota moderna, limpa, silenciosa.

 

Informação clara dentro e fora do veículo.

 

Motorista valorizado: profissional tratado como pilar, não como custo.

 

 

🔹 Infraestrutura básica e dignidade

 

Pontos de ônibus decentes, iluminados e seguros.

 

Intervalos regulares e previsíveis.

 

Conforto mínimo: manutenção em dia, temperatura tolerável.

 

O cidadão não largou o ônibus por moda.

Largou por cansaço, falta de informação,

falta de assiduidade e respeito à programação.

 

Mas aqui vai a verdade que muitos fingem não ver:

Quando o transporte público é bem feito, ele não perde pra aplicativo, ele ganha.

 

Porque aplicativo atende quem pode.

Transporte público atende quem sustenta a cidade.

 

E cidade sem transporte coletivo forte

não tem futuro, só trânsito.

Quanto Vale a Mão de Obra de um Motorista de Ônibus?

02/01/2026

Ou, simplesmente: Quanto Vale um Motorista de Ônibus?

 

Perguntar quanto vale a mão de obra de um motorista de ônibus é cutucar uma ferida antiga do Brasil. É também perguntar quanto vale o país, porque nenhuma cidade funciona sem esses profissionais que atravessam madrugadas, congestionamentos e crises levando, em cada viagem, a pressa e a esperança de milhões.

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*          *          *          *

O motorista não segura só o volante. Segura a cidade. É mediador, guardião do percurso, responsável direto por dezenas de vidas. Opera máquinas de 11 a 28 metros em meio ao caos urbano. Mesmo assim, quando se discute transporte, ele some atrás de planilhas e discursos frios sobre “custo operacional”. A miopia nacional começa exatamente aí.

 

A responsabilidade que a planilha não mostra:

 

Dirigir um ônibus exige reflexos rápidos, controle emocional, paciência com o trânsito imprevisível, postura para lidar com conflitos, habilidade para manobrar toneladas com precisão e atenção constante às normas. É arte, ciência e vocação - tratadas como despesa.

 

Por que a valorização não chega?

 

Porque o transporte público brasileiro é um campo de batalha entre tarifas manipuladas, impostos pesados, infraestrutura fraca, judicialização, pressões eleitorais, subsídios mal montados e incertezas regulatórias. No fim, empresários dizem que não podem pagar mais, governos alegam que não podem subsidiar mais, passageiros afirmam que não podem pagar mais tarifa. E quem paga a conta? O motorista - justamente quem não decide nada.

 

Quanto vale um motorista?

 

Vale o suficiente para manter vidas seguras diariamente.

Vale o suficiente para ter sua qualificação reconhecida.

Vale o suficiente para não ser esmagado por um sistema desequilibrado.

Vale o suficiente para ser tratado como peça essencial, não ajustável.

 

Isso só muda quando o país parar de perguntar “quanto custa?” e começar a perguntar “quanto vale?”.

 

Os pilares do salário justo:

 

Sem tabelas, apenas princípios:

1. Responsabilidade sobre vidas humanas.

2. Complexidade técnica do veículo.

3. Riscos urbanos diários.

4. Impacto social do serviço.

Se o Brasil levasse esses quatro pontos a sério, a remuneração justa seria consequência. Mas ainda não chegamos lá.

 

Reflexão Final:

 

Ou reconhecemos o valor real desse profissional, ou seguiremos presos a um transporte frágil e injusto. Não é só economia. É moral. É ética. É social.

 

Quanto vale um motorista?

Quanto vale a mão de obra que carrega a cidade nas costas?

 

Agora é com o leitor:

vamos refletir, de verdade, sobre o que precisa mudar para que o Brasil trate esses profissionais como merecem.

 

 

 

*          *          *          *

Quando o Volante Fica Pesado Demais

30/12/2025

 

O transporte coletivo carrega mais do que pessoas: carrega histórias, pressões e um peso que não aparece nas estatísticas. Nos últimos anos, uma realidade desconfortável ganhou força, os motoristas estão adoecendo. Não por falta de vontade, mas por excesso de carga.

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A crise de mão de obra não é mistério. Começou quando muitos cobradores foram dispensados, empurrando para o motorista funções que nunca foram dele: cobrar, orientar, mediar conflitos, manter o horário e ainda conduzir um veículo lotado. Resultado? Profissionais esmagados entre o volante e a cobrança diária.

 

E não se trata de dirigir apenas um ônibus comum. Há quem conduza máquinas de 15 toneladas, e há quem esteja no comando de um biarticulado de quase 30 toneladas, com 23 metros de comprimento — uma serpente de aço que exige precisão milimétrica no meio de um trânsito hostil.

Dentro, 80 ou 90 passageiros, sentados e em pé.

Fora, calor, corredor apertado, buzinas, cobranças.

 

O passageiro vê o atraso.

O motorista vê o caos inteiro.

 

Multiplicam-se casos de motoristas que passam mal no volante. Alguns sofreram mal súbito e não resistiram. Outros chegaram ao limite mental, estacionaram o ônibus no meio da rua, desligaram o motor e simplesmente foram embora, caminhando como quem busca ar depois de segurar o mundo sozinho. Não é irresponsabilidade. É exaustão pura.

 

A violência também pesa. Agressões verbais viraram rotina. Discussões por troco, temperatura, trânsito, superlotação. O motorista vira o “culpado oficial” de tudo o que não funciona no sistema.

 

E no fundo, a cidade esquece que ali está um ser humano.

 

É verdade: falta estrutura, manutenção, planejamento e prioridade viária. Mas falta, sobretudo, reconhecer que o transporte só se move porque um trabalhador luta, todos os dias para permanecer inteiro.

 

A reflexão é simples: não dá para exigir eficiência de quem perdeu a paz. Um sistema que esgota seus próprios operadores está condenado a falhar.

 

Antes de cobrar pontualidade, precisamos cobrar humanidade.

Antes de falar em frota, precisamos falar em gente.

 

Porque a cidade só anda quando quem dirige consegue respirar.

 

 

 

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