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Coluna FALA GALESI !!!

Espaço dedicado ao jornalista e especialista em transportes Marcos Galesi.
Confira aqui seus artigos em defesa do Trólebus Brasileiro.

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QUANDO A INFRAESTRUTURA FALHA, A MOBILIDADE PÁRA: O ALERTA QUE A A2 TRANSPORTES EXPÔS

​26/12/2025

A madrugada paulistana costuma ser silenciosa, mas na garagem da A2 Transportes o barulho foi outro: instabilidade no fornecimento de energia elétrica entre 22h de sexta (14/11/2025) e 4h20 de sábado (15/11/2025). O resultado? Os ônibus elétricos simplesmente não conseguiram sair, segundo notíciado pelo Diário do Transporte.

 

O setor operacional fez o que pôde: registrou ocorrência na SPTrans, reorganizou escala, remanejou carros a diesel às pressas e segurou o atendimento para não deixar passageiro na mão. Mas fica a pergunta "até quando São Paulo vai depender da sorte para fazer a transição energética?"

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Algo repetido por vários técnicos e engenheiros, é certeira como um tapa de realidade:

“A infraestrutura vem primeiro.”

 

Parece óbvio, mas a cidade insiste em inverter a ordem do processo. Coloca centenas de elétricos na frota, anuncia metas, corta fitas, comemora números… e só depois percebe que as garagens não têm robustez para carregar todo esse exército silencioso. Aí acontece exatamente o noticiado: panes, atrasos e remendos operacionais.

 

A transição para ônibus elétricos é necessária, urgente e inevitável, e quem vive a mobilidade sabe disso há décadas. Mas não adianta sonhar com o futuro sem arrumar o quintal. Energia estável, cabeamento dimensionado, redundância, baterias de suporte, integração com concessionárias e plantas projetadas para a carga total da frota não são luxo. São o básico.

 

O episódio da A2 é um pequeno prenúncio do que pode virar rotina se o planejamento não acompanhar o entusiasmo. Não dá para carregar ônibus como quem liga um celular na tomada. É outra escala, outra engenharia, outro mundo.

 

São Paulo sempre foi gigante quando levou infraestrutura a sério. Agora precisa recuperar essa velha virtude: planejar antes de anunciar, preparar antes de implantar, reforçar antes de exigir.

 

A mobilidade elétrica não pode tropeçar por falta de energia.

A cidade merece mais e sabe fazer melhor.

E deixo a seguinte pergunta. Porque em regiões onde há a rede de trólebus., não se utiliza para recarga linear???Errar é humano, e persistir no erro diante de uma solução???

 

 

 

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TRÓLEBUS: SÃO PAULO NÃO PODE DESLIGAR O QUE AINDA ILUMINA O FUTURO.

10/12/2025

 

Há erros que uma cidade com a grandeza de São Paulo não pode repetir.

Um deles é virar as costas para o transporte elétrico mais eficiente, limpo e consolidado que temos: o trólebus.

Desde 1949, esses veículos silenciosos e robustos percorrem nossas ruas, conectados à rede aérea, movidos a energia limpa e com vida útil muito superior à de qualquer ônibus convencional. São parte do patrimônio técnico e afetivo da cidade, e um símbolo da mobilidade sustentável antes mesmo de o termo virar moda.

Hoje, porém, o sistema enfrenta um risco real. Dos 210 trólebus que já circularam, restam 189 cadastrados pela própria prefeitura. E as declarações recentes do prefeito indicam que o sistema pode ser desativado até 2030, sob o argumento de custo.

 

Mas sejamos francos: custo para quem?

O mesmo poder público que fala em economia está investindo pesado em ônibus elétricos a bateria, que exigem infraestrutura cara de recarga, substituição periódica de baterias e alto custo de manutenção. Já o trólebus tem infraestrutura pronta, testada e eficiente. A rede está instalada, a tecnologia é nacional e o sistema opera com baixíssima emissão e ruído.

 

Não se trata de nostalgia, mas de coerência técnica e ambiental.

A matriz elétrica do Brasil é uma das mais limpas do planeta. Ignorar essa vantagem é desperdiçar o que temos de melhor. Cada trólebus desligado representa mais diesel queimado, mais poluição no ar, mais ruído e mais dependência de tecnologias importadas.

 

A decisão de enfraquecer ou extinguir o sistema seria um erro histórico, comparável à demolição dos antigos bondes, uma ferida urbana que até hoje não cicatrizou. As cidades que inspiram o mundo, como Zurique, Genebra, Milão e Linz, seguem expandindo suas redes de trólebus, porque compreenderam que a verdadeira modernidade é manter o que funciona bem.

 

O prefeito precisa enxergar que manter os trólebus não é gasto, é investimento inteligente. É respeitar décadas de engenharia, empregos e sustentabilidade.

O futuro das cidades é elétrico, mas não precisa ser amnésico.

 

São Paulo deve olhar para seus fios não como passado, mas como linhas de vida que ainda sustentam um modelo de transporte limpo, confiável e silencioso.

Apagar esses fios é apagar parte da nossa história, e do nosso futuro.

📰 TRÓLEBUS DE LINZ: A ÁUSTRIA MOSTRA COMO O FUTURO ANDA SOBRE FIOS

01/12/2025

 

Enquanto muitas cidades brasileiras ainda debatem o “fim” dos trólebus, a cidade austríaca de Linz segue na contramão — investindo pesado na expansão e modernização de sua rede elétrica sobre pneus. Prova disso é o novo projeto da linha 48, que está em construção e será inaugurado até 2027, totalmente operada por trólebus biarticulados de última geração.

 

A operadora Linz AG Linien aposta em veículos 100% elétricos com tecnologia “In Motion Charging” — ou seja, os trólebus recarregam suas baterias enquanto circulam conectados à rede aérea e podem operar autonomamente fora dos fios quando necessário. É a união perfeita entre eficiência energética, autonomia e sustentabilidade.

Esses novos trólebus biarticulados são gigantes modernos e silenciosos, projetados para o transporte urbano de alto desempenho. Com design futurista, 24 metros de comprimento, piso totalmente baixo e capacidade para cerca de 180 passageiros, eles representam a fusão entre o conforto de um VLT e a flexibilidade de um ônibus. Mais do que veículos, são emblemas de uma visão de cidade moderna, limpa e eficiente.

 

 

 

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Em Linz, o trólebus é tratado como investimento de Estado, não como despesa. Essa mentalidade tem garantido à cidade uma das menores taxas de emissão de poluentes por passageiro transportado da Europa. O resultado: menos ruído, mais qualidade de vida e uma mobilidade elétrica que funciona — porque foi planejada com continuidade, não interrompida por modismos.

 

Enquanto isso, São Paulo, que já teve uma das maiores redes de trólebus das Américas, assiste a um lento desmonte de um sistema que poderia ser o coração de uma frota elétrica genuinamente sustentável.

Linz, Salzburgo, Zurique e Lausanne seguiram outro caminho — preservaram seus sistemas e os transformaram em referência global.

 

💬 O recado de Linz é claro:

 

> “O futuro não precisa abandonar os fios — ele apenas precisa saber usá-los melhor.”

 

 

 

 

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📊 Box Técnico — Novo Trólebus de Linz

 

-Operadora: Linz AG Linien

-Fabricante: Solaris Bus & Coach (modelo Trollino 24)

-Propulsão: 100% elétrica com In Motion Charging

-Autonomia fora da rede: até 20 km por carga

-Capacidade: cerca de 180 passageiros

-Comprimento: 24 metros (biarticulado)

-Entrada: piso totalmente baixo

-Lançamento da nova linha (Rota 48): até 2027

-Custo estimado: cerca de € 1,3 milhão por unidade

-Energia: fornecida por rede aérea 600 V DC e baterias de lítio

 

 

 

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⚡ O TRÓLEBUS: O FUTURO QUE SÃO PAULO JÁ TEM, MAS INSISTE EM IGNORAR

21/11/2025

Durante décadas, São Paulo construiu silenciosamente um patrimônio tecnológico e ambiental que poucas cidades do mundo possuem: um sistema de trólebus consolidado, operante e eficiente.

Ainda assim, o poder público e parte da opinião técnica tratam esse sistema como um vestígio do passado — quando, na verdade, ele é a solução mais madura, econômica e sustentável para o futuro da mobilidade elétrica urbana.

 

🏙️ Um sistema que nasceu antes da moda dos elétricos:

 

Muito antes de se falar em ônibus elétricos importados, São Paulo já movia seus trólebus com energia limpa, baixa emissão sonora e altíssima eficiência energética.

A cidade possui infraestrutura instalada, subestações, rede aérea, garagens equipadas e profissionais capacitados.

Trata-se de um patrimônio técnico e operacional que seria inconcebível abandonar — principalmente num momento em que o mundo inteiro corre para eletrificar suas frotas.

⚙️ Eficiência que o marketing não mostra:

O trólebus é o único veículo elétrico com alimentação contínua, sem necessidade de baterias caras, poluentes e de curta vida útil.

A energia vem diretamente da rede, o que significa consumo estável, manutenção previsível e custo operacional muito menor.

Enquanto os elétricos a bateria passam horas recarregando, o trólebus nunca para.

E mais: os modelos modernos já contam com baterias auxiliares, que lhes permitem circular fora da rede sempre que necessário — unindo o melhor dos dois mundos.

 

🌿 Mobilidade elétrica de verdade, não de marketing:

 

Há quem defenda que o futuro está nos “ônibus elétricos 100% a bateria”.

Mas o discurso ignora que essas baterias têm impacto ambiental na produção e descarte, peso elevado, alto custo de reposição e autonomia limitada.

Enquanto isso, o trólebus, com mais de 70 anos de operação em São Paulo, segue ecologicamente limpo, tecnicamente robusto e comprovadamente econômico.

Não é promessa: é realidade.

 

💰 Investimento que já foi feito — e que dá retorno:

 

O sistema trólebus é um ativo público estratégico. Sua infraestrutura já existe e pode ser modernizada a custos muito menores do que implantar redes de recarga por toda a cidade.

Abandonar o trólebus seria jogar fora décadas de investimento público, conhecimento técnico e credibilidade ambiental.

 

🔌 A cidade precisa de coerência:

 

É incoerente ver governos anunciarem metas “verdes” enquanto reduzem a rede trólebus.

Se São Paulo deseja realmente ser referência em mobilidade sustentável, o caminho não é recomeçar do zero, mas valorizar o que já funciona — e o trólebus funciona.

 

⚡ Conclusão provocante:

O trólebus é o futuro que já está pronto, mas poucos querem enxergar.

São Paulo não precisa “importar” soluções; precisa reconhecer o valor do que criou.

A cidade que ousou construir o maior sistema elétrico sobre pneus da América Latina não pode agora se render ao esquecimento.

 

> Porque o verdadeiro atraso não é ter trólebus: é abandoná-los em nome de modismos disfarçados de inovação.

 

 

 

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COP 30 e São Paulo: a cidade que esqueceu o fio da própria história

13/11/2025

 

Em pleno desenrolar da COP 30, que acontece em Belém do Pará, o mundo discute metas climáticas, mobilidade sustentável e redução de emissões. São Paulo, porém, deveria estar sendo citada como exemplo de liderança na eletromobilidade, mas, ironicamente, tornou-se um retrato de como a falta de continuidade administrativa e o imediatismo político podem travar o futuro de uma cidade.

 

Já fomos vanguarda. A capital paulista possuía uma das maiores redes de bondes elétricos do mundo, o histórico trem da Cantareira e, mais tarde, o visionário Sistram, idealizado pelo saudoso Adriano Murgel Branco , um projeto que só parcialmente saiu do papel, vítimas da vaidade política e da falta de continuidade entre administrações.

 

Cada prefeito quis deixar “a sua marca”, interrompendo o trabalho anterior e enterrando boas ideias sob o asfalto das disputas partidárias. Em vez de uma cidade planejada com visão técnica, prevaleceu o imediatismo eleitoreiro, que valoriza obras de impacto rápido e discursos fáceis. Assim, São Paulo retrocedeu, e o fio da sua história elétrica foi desconectado.

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Agora, enquanto líderes mundiais debatem soluções para o clima, São Paulo poderia estar mostrando ao planeta o poder da sua rede elétrica de trólebus, uma herança viva de eficiência e sustentabilidade. Mas, sem integração, incentivo e expansão, até esse símbolo de mobilidade limpa corre risco de ser apagado pela indiferença política.

 

A COP 30 deveria servir como um espelho incômodo: o mundo está avançando, e São Paulo parece olhar pelo retrovisor. Que esse evento inspire um novo começo, um chamado à responsabilidade, à técnica e à continuidade. Porque o futuro da mobilidade não se constrói com promessas, e sim com coragem para religar os fios do passado ao amanhã.

🚎 Por que o Brasil ficou para trás em tecnologias como o trólebus IMC?

31/10/2025

 

Enquanto cidades da Europa e da Ásia modernizam seus corredores elétricos com eficiência e planejamento, o Brasil ainda patina entre promessas, mitos e licitações mal desenhadas. O resultado? Atraso tecnológico e um custo gigantesco para o bolso do cidadão.

1️⃣ A conta errada: preço de compra não é custo de vida útil

 

A licitação brasileira ainda premia o menor preço, não o menor custo por quilômetro ao longo da vida útil.

O trólebus IMC (In Motion Charging) custa mais na largada, mas roda 15 a 20 anos com manutenção menor, energia mais barata e bateria 3 a 5 vezes menor. Quando se ignora isso, o sistema escolhe o barato que sai caro.

 

 

 

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🚎 O arrependimento que veio em silêncio: cidades que desligaram seus trólebus e depois quiseram reativá los de novo

28/10/2025

 

Durante décadas, o fio elétrico sobre as avenidas foi visto como símbolo do passado. Prefeitos e gestores correram para arrancar os cabos, vender as subestações e encher as garagens de diesel. O discurso era o mesmo: “modernização”.

Mas o tempo, e o preço do combustível, tratou de mostrar quem realmente estava certo.

Hoje, várias cidades que abandonaram os trólebus voltaram atrás, literalmente reinstalando redes e comprando novos veículos. E não por nostalgia, mas por eficiência, energia limpa e custos operacionais menores.

Trólebus articulado Solaris Trolino 18 em Roma.

(Acervo página "Flickr" / Kim L).

2️⃣ Contratos curtos, visão curta

 

Não dá pra operar um veículo de 20 anos com contrato de 7. Sem prazo compatível ou indenização de resíduo, o operador foge do elétrico.

Tecnologia de longo ciclo pede concessão longa e segurança jurídica.

 

3️⃣ Planejamento elétrico desarticulado

 

Prefeitura, operadora e distribuidora raramente falam a mesma língua.

O IMC exige engenharia de potência planejada: subestações, demanda contratada e baterias estacionárias (BESS) para reduzir picos de energia. Sem isso, o projeto empaca antes mesmo de sair da garagem.

 

4️⃣ A estética acima da engenharia

 

Quantas vezes ouvimos: “fio é feio”?

Mas o que realmente é feio é o diesel queimando ar e dinheiro público.

Redes modernas, bem instaladas e com vãos longos são discretas, seguras e duráveis — e mantêm o transporte rodando sem interrupção.

 

5️⃣ Falta de métrica pública e narrativa técnica

 

Sem dados abertos de kWh/km, custo por passageiro, disponibilidade e poluentes evitados, qualquer discurso vence.

Com transparência, o IMC vence nos números — e convence pela eficiência.

 

6️⃣ O lobby do obsoleto

 

Onde há manutenção cara e troca de bateria pesada, há lucro fácil.

O IMC é o contrário: requer menos peças, menos paradas, menos reposição. E isso desagrada muita gente com interesse no modelo antigo.

 

7️⃣ Como destravar o futuro agora

 

Licitação com TCO (custo total de propriedade).

Prazo contratual compatível com a vida útil do ativo.

Corredor-piloto bem escolhido, com subestações e trechos off-wire.

Padrão técnico municipal para pantógrafos, telemetria e conectores.

Financiamento verde de longo prazo.

KPI público mensal de energia, custo e emissões.

Força-tarefa de engenharia para rede aérea e manutenção.

 

Integração troncal (IMC) + alimentador (BEV).

 

8️⃣ A verdade incômoda

 

O atraso brasileiro não é por falta de tecnologia — é por falta de coragem política e engenharia de Estado.

Enquanto discutimos “fio é feio”, outros países conectam trólebus IMC com inteligência, eficiência e propósito.

O futuro já existe. Só falta o Brasil decidir sair da tomada.

#MobilidadeUrbana #TransporteSustentável #Trólebus #IMC #TecnologiaVerde #PlanejamentoUrbano

 

 

 

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 Roma: arrependimento sobre rodas

 

Roma desligou seus trólebus em 1972. Em 2005, reabriu a linha 90 com novos veículos e, em 2019, expandiu o sistema. O motivo? Diesel caro e pressão ambiental. O arrependimento virou investimento.

 

🇨🇿 Praga: o retorno da rede suspensa

 

A capital tcheca encerrou seu sistema em 1972 e, décadas depois, declarou publicamente que foi um erro.

Desde 2017, os trólebus IMC (que rodam parte do trajeto a bateria) voltaram com força. Em 2024, a cidade abriu novas linhas 58 e 59 — modernas, silenciosas, e totalmente integradas.

 

🇮🇹 Bolonha e Verona: o fio que voltou a brilhar

 

Bolonha encerrou sua rede em 1982 e, nos anos 1990, voltou atrás. Verona seguiu o mesmo caminho: reintroduziu o sistema, financiado pelo Banco Europeu de Investimento. A justificativa oficial? “Não existe tecnologia mais madura e eficiente para o transporte urbano limpo.”

 

🇳🇿 Wellington: o arrependimento mais público de todos

 

Na Nova Zelândia, a cidade encerrou os trólebus em 2017. Bastaram poucos anos para os cidadãos perceberem o erro: aumento de poluição, ruído e custos. A imprensa local chamou de “a decisão mais tola da década”.

 

🌍 A lição que vem dos fios

 

Em todos esses casos, o fio da história é o mesmo: desligar foi fácil, reativar custa caro. Mas as cidades entenderam que o futuro não está em motores barulhentos e fumaça, e sim na energia limpa que já existia antes — só precisava ser modernizada.

 

Enquanto isso, no Brasil, ainda há quem trate o trólebus como relíquia. Mas quem conhece mobilidade sabe: o que é sustentável nunca sai de moda.

 

As cidades que se arrependeram hoje são exemplos para as que ainda resistem a aprender. Porque o verdadeiro progresso não é apagar o passado, é reenergizá-lo. ⚡

 

 

 

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O Crime dos Fios Arrancados: O Suicídio Energético de São Paulo

24/10/2025

Enquanto Praga, Zurique, Gdynia, Parma e Rimini reafirmam o óbvio — que os trólebus são a espinha dorsal da mobilidade elétrica sustentável — São Paulo prefere o caminho mais estúpido: arrancar cabos e vender sucata como “modernização”.

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Essa escolha não é técnica, é política. É a velha miopia do poder público: cortar custos hoje para estourar a conta amanhã. É como um cirurgião que, para economizar em gaze, abre o paciente e o deixa sangrar.

 

🔋 Fato incontestável: trólebus IMC consomem até 30% menos energia que ônibus a bateria carregados em depósito. Energia que sobra para hospitais, escolas e iluminação pública.

 

🌱 Fato inconveniente: com baterias menores, usam 30 vezes menos lítio, níquel e cobalto. Em tempos de guerras e crises geopolíticas, desmontar uma tecnologia que reduz dependência de minerais é o cúmulo da irresponsabilidade.

 

🏗 Fato inegável: a rede aérea dura mais de 40 anos. Baterias mal chegam a cinco antes de virarem lixo tóxico caríssimo. Arrancar fios e apostar em baterias é trocar ouro por sucata.

⚡ Fato incômodo: as catenárias são infraestrutura estratégica de energia urbana. Em crises, garantem mobilidade. Em apagões, sustentam cidades. Quem desmonta isso deveria ser acusado de crime contra a resiliência urbana.

Arte: Marcos Galesi

🌍 Enquanto o mundo liga seus fios ao futuro, São Paulo corta os seus.

 

Autoridades que hoje posam para fotos dizendo que “modernizam” a cidade estão, na prática, assassinando uma tecnologia limpa e comprovada. Jogam a sociedade nos braços de baterias caríssimas, frágeis e descartáveis.

 

👉 Que fique registrado: cada metro de fio arrancado hoje custará o dobro para ser reposto amanhã. E quando a fatura bater à porta, não digam que não sabiam.

 

Se prefeitos e gestores querem destruir o futuro da mobilidade limpa, que ao menos tenham coragem de olhar no olho do cidadão e admitir:

— “Estamos desmontando a rede de trólebus porque não temos visão, nem compromisso com sustentabilidade.”

 

Não é debate técnico, é decisão política. Não é economia, é sabotagem. Não é progresso, é retrocesso.

 

🚨 Desmontar a rede de trólebus é um crime contra o futuro.

 

E quem cala diante disso vira cúmplice.

 

 

 

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